Pergunta Simples
Um podcast sobre comunicação. Assinado por Jorge Correia Tudo começa com uma pergunta simples. As respostas é que podem ser mais difíceis. https://perguntasimples.com/
Um podcast sobre comunicação. Assinado por Jorge Correia Tudo começa com uma pergunta simples. As respostas é que podem ser mais difíceis. https://perguntasimples.com/
Episodes
Tuesday Jun 14, 2022
Conceicao Gomes | Comunicar Melhor | Pergunta Simples (Ep.87)
Tuesday Jun 14, 2022
Tuesday Jun 14, 2022
Hoje é dia de falarmos sobre a justiça.
Sobre como comunica a justiça connosco.
O que nos diz.
O que percebemos.
Quem entende uma sentença de um tribunal?
Sim, calma, sim, eu já aprendi que de chama habitual acórdão. Porque normalmente há mais do que um juiz.
Mas isto é um podcast sobre comunicação e a mim, interessa-me particularmente como se comunica.
Neste caso como comunica o sistema judicial com os cidadãos.
Por isso falo das longas, palavrosas, complexas, cheias de referências cruzadas, e encriptadas decisões judiciais.
Sendo que o tribunal é aquele sitio mágico onde os cidadãos vão reclamar que se garantam os seus direitos à luz da lei.
Não posso deixar de partilhar a minha experiência pessoal, como testemunha, num par de processos.
Senti-me pequenino, quase intimidado, e profundamente desconfortável.
Nem sei bem porquê.
Seria da mise-en-scène?
O peso do formalismo?
Da linguagem?
Das vestes? Da luz? Dos juízes ocuparem um dois degraus acima de mim, do ministério público e advogados estarem um degrau acima.
E eu, cá em baixo, a muitos metros de distância de quem decide.
Isto também é comunicação.
Quis discutir o tema com Conceição Gomes do Observatório da Justiça.
Será que a nossa justiça é justa connosco, cidadãos?
Em todos os sentidos da palavra
As fronteiras da lei são formalmente claras.
Mas a sua interpretação depende e muito de pessoas com convicções e olhares distintos.
Tudo depende da função social e do contexto.
A justiça tem uma tarefa difícil.
Tem de decidir entre o devido e o dano.
Entre o direito e o dever.
Mas como tantas vezes acontece em sistemas complexos o cidadão é mais objecto do que beneficiário.
Cabem-lhe poucas perguntas com muitas respostas codificadas.
Nestes momentos penso num livro do escritor Franz Kafka, chamado “O processo”.
Nele o personagem Josef K. é acusado num longo e incompreensível processo por um crime não especificado.
É uma boa leitura para refletir sobre o tema da justiça e do seu relacionamento com o cidadão.
Mas isso é coisa da fantasia dos livros. Nunca da vida real.
Tuesday Jun 07, 2022
Daniel Rijo | Comunicar Melhor | Pergunta Simples (Ep.86)
Tuesday Jun 07, 2022
Tuesday Jun 07, 2022
DANIEL RIJO | ESTAMOS A FICAR MAIS VIOLENTOS?
Hoje falamos de violência.
Violência na linguagem.
Violência psicológica.
Violência física.
Em particular no seu efeito nos mais jovens.
Neste programa falaremos da maneira como estamos ouvir o som, a filtrar as imagens e a construir perceções sobre o tema da violência.
Em particular a violência e a delinquência juvenil.
Pensei que esta ideia do incremento da violência juvenil era uma coisa da minha cabeça. Da minha perceção da realidade.
A final não. O relatório de segurança interna mostra um aumento da delinquência juvenil. Seja em número, seja em gravidade.
Há mais casos. E há mais gravidade nos casos.
Nomeadamente no uso de armas com capacidade de matar pessoas.
O aumento e a visibilidade dos casos de violência juvenil em miúdos dos 12 aos 16 anos disparou todos os alarmes e o governo acaba de criar uma comissão para estudar o tema.
Um dos investigadores com mais trabalho feito junto de jovens delinquentes que estão em centros eucativos e prisões é o Psicólogo Daniel Rijo, da Universidade de Coimbra.
Tentei perceber se a exposição à violência, por via da comunicação mediática, pode ter alguma influência no comportamento mais violento dos jovens.
A violência causa sempre um impacto na nossa mente.
Do caso extremo das vítimas da guerra aos casos mais próximos da violência criminal.
Seja em adultos sejam em mais jovens.
O que aprendemos dos estudos é que a violência deixa sequelas e no caso da delinquência juvenil a maioria dos autores destes crimes sofrem de algum tipo de perturbação mental.
A violência juvenil tem muitas vezes raízes em famílias disfuncionais.
Estes jovens agora violentos foram muitas vezes vítimas de várias violências.
De alguma maneira a violência é a sua forma de expressão.
Provavelmente ninguém os ouviu antes.
Daniel Rijo é Psicólogo clínico, doutorado em Psicologia Clínica e Professor na Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra (FPCEUC). Investigador do Centro de Investigação do Núcleo de Estudos e Intervenção Cognitivo Comportamental (CINEICC) da Universidade de Coimbra na área das perturbações da personalidade e do comportamento antissocial.
Tuesday May 31, 2022
Rui Caria | Comunicar Melhor | Pergunta Simples (Ep.85)
Tuesday May 31, 2022
Tuesday May 31, 2022
Nesta edição fotografamos o horror da guerra.
Como se fotografa uma guerra?
Esta era a minha pergunta iniciática para esta edição.
Vários repórteres portugueses foram reportar a guerra da Ucrânia.
Todos nos mostram o que viram.
O que captaram com as suas câmaras e sensibilidade pessoal.
Escolhi o jornalista, fotojornalista e repórter Rui Caria para viajar até à mais quente zona de conflito da Ucrânia: até ao Dombass. A região russófila que a Rússia reclama querer proteger.
E em particular a cidade-chave de Severodonetsk.
É o palco principal dos combates entre as tropas ucranianas e russas.
Provavelmente a segunda cidade mártir depois de Mariupol.
Rui Caria esteve nesta cidade. Viveu, comeu, dormiu e fotografou.
Fotos que mereceram de resto a partilha do Presidente Zelensky.
A atração pela guerra é histórica na vida dos grandes repórteres mundiais.
Ir ver a humanidade no seu extremo.
Na confluência entre a vida e a morte.
Tudo isso está expresso nas fotografias e reportagens de Rui Caria, um dos olhares portugueses sobre o regresso da guerra à Europa.
Tuesday May 24, 2022
Miguel Castanho | Comunicar Melhor | Pergunta Simples (Ep.84)
Tuesday May 24, 2022
Tuesday May 24, 2022
Hoje fazemos a prova científica dos factos.
A pergunta inicial ou a hipótese em cima da mesa é:
O que a ciência provou como verdadeiro é tábua de lei?
A resposta simples é: depende.
E o programa de hoje é sobre as certezas certas da ciência em confronto com as certezas flutuantes dos decisores e a opinião pública que adora contradizer-se.
Deixem-me ser claro: os cientistas têm mais voz que nunca nos jornais, rádios e televisões.
O que é uma boa notícia.
Os jornalistas descobriram com a pandemia que existem bolsas de pessoas cuja função social é investigar e saber profundamente sobre um tema.
É essa a vida delas.
Podem ser cientistas, médicos, psicólogos, engenheiros ou militares.
A descoberta dessas bolsas de saber e a vontade destas pessoas finalmente ocuparem o seu espaço, resultou numa discussão pública dos temas mais importantes, com mais inteligência.
O que significa também menos recurso aos chamados “eu falo sobre tudo, mesmo que de nada saiba”
Mas isso é só metade do trabalho.
É que nem sempre algo provado acabou por ser a base da decisão política, social e administrativa.
E a opinião pública muda de sentimento a quase diariamente.
Tuesday May 17, 2022
Cláudia Lucas Chéu | Comunicar Melhor | Pergunta Simples (Ep.83)
Tuesday May 17, 2022
Tuesday May 17, 2022
Escritora, cronista, dramaturga, poeta, actriz.
Trabalha com as palavras ditas e escritas para dizer.
Ou escritas para nos inquietar.
Cláudia Lucas Chéu tem como trabalho escrever.
Escreve para atores no palco ou na televisão.
Escreve também regulamente crónicas para a imprensa onde dá voz às suas próprias inquietações e problemas.
Sobre tudo os isto o programa de hoje.
Com algumas curiosidades: como se escreve uma telenovela?
Ou uma peça de teatro.
Escrever para vários formatos é um trabalho intenso.
Muitas vezes sem um plano escrito à partida.
Esta edição é sobre como criar emoções e interrogações na cabeça dos leitores e espectadores.
O mais divertido é que entre guiões e roteiros, Claudia Lucas Chéu não usa nenhum mapa de caminhos para viver.
É andar, comunicar e viver.
Tuesday May 10, 2022
José Pedro Teixeira Fernandes | Comunicar Melhor | Pergunta Simples (Ep.82)
Tuesday May 10, 2022
Tuesday May 10, 2022
Tuesday May 03, 2022
José Manuel Rosendo | Comunicar Melhor | Pergunta Simples (Ep.81)
Tuesday May 03, 2022
Tuesday May 03, 2022
Fazer reportagem de guerra é uma arte jornalística que exige coragem, sangue-frio e bom senso.
Diariamente há que enfrentar um dilema complexo: o que se mostra e o que se evita. O que se relata e o que se guarda só para nós?
As grandes histórias do jornalismo tem um sinal em comum: o drama da condição humana.
As histórias de vida e de morte, de desgraça e de superação são as que mais impacto tem na nossa mente.
Conta-se, quase como mantra dos repórteres de guerra, que os jornalistas são aqueles que correm para um sítio de onde todos querem fugir.
Vemos a guerra pelos olhos de quem é testemunha profissional.
Sobram as perguntas.
Como se conta uma guerra?
Como se chega lá?
Como se sobrevive?
Como se descreve?
O que sobra na ressaca da volta a casa?
Nos últimos meses vários jornalistas portugueses percorreram a Ucrânia para nos contarem a guerra com a nossa maneira de ver o mundo.
É isso que os jornalistas fazem num conflito militar como este.
Vamos à Ucrânia com o repórter José Manuel Rosendo, jornalista da Antena 1 e da RTP.
Um veterano de várias guerras e conflitos.
Do médio oriente, ao norte de África e à Europa.
Iraque, Egipto, Turquia, Líbia, Faixa de Gaza e agora Ucrânia.
Esta conversa tem segredos revelados: como se movimenta um repórter na guerra? Onde se pode ir? Quem nos ajuda?
E depois? Importa saber o que se traz na mala.
Tuesday Apr 26, 2022
Pedro Brinca | Comunicar Melhor | Pergunta Simples (Ep.80)
Tuesday Apr 26, 2022
Tuesday Apr 26, 2022
Vamos ficar mais ricos ou mais pobres?
Suspeito que a resposta não seja fácil de dar.
Talvez seja mesmo impossível.
Por mais que os economistas saibam, por melhores computadores e dados que tenhamos, a economia depende de algo incontrolável: a expectativa.
E a comunicação, em particular a perceção, joga um papel-chave.
Aprendi nesta conversa que em economia o futuro interfere com o passado. Parece estranho. Mas de facto se cada um de nós souber ou entender que vai faltar pão — mesmo que isso seja falso — logo vamos reagir e comprar pão. E talvez comprar mais pão do que precisamos. Com esse simples movimento coletivo de açambarcamento o pão pode mesmo faltar. Não porque haja escassez, mas, porque o nosso medo esgotou o que havia nas prateleiras.
Por estes tempos aparecem na minha cabeça, expressões que me lembro de quando era criança.
Por exemplo, a carestia de vida. O efeito da inflação. O preço da gasolina. E de tudo o resto. Sempre a subir.
Dos salários que pareciam que subiam muito em percentagem, mas menos que o aumento dos preços.
Estaremos de novo aí?
Está conversa é sobre economia. Como o Professor de Macroeconomia da Universidade Nova Pedro Brinca.
Para mim a economia é uma espécie de ciência oculta. Mas uma ciência oculta que me fascina.
Mas a pergunta é óbvia: vamos ficar mais ricos ou mais pobres?
Quando economia fica mais turbulenta há que poupar e investir melhor.
Embora este conselho possa provar desde já a minha incompetência a falar sobre economia.
É que os maiores danos da subida dos preços é para as pessoas mais pobres.
Quem tem menos recursos pode deixar de conseguir até comprar os bens mais básicos. Estou a falar de comida.
Mas o efeito estende-se de forma contagiosa a todas as pessoas.
Fecho com uma ideia que me deixa perplexo mostra porque nunca serei rico. Que raio de sociedade reduz cada vez mais o rendimento de quem produz batatas ou leite e pag -a mais a quem faz programas de computador ou telemóvel.
Sim, eu sei, digam comigo:
“É a economia, estúpido”
Tuesday Apr 19, 2022
Joaquim Furtado | Comunicar Melhor | Pergunta Simples (Ep.79)
Tuesday Apr 19, 2022
Tuesday Apr 19, 2022
Viva a Liberdade!Viva o 25 de Abril!Não tarda nada e comemoramos os 50 anos da revolução.Hoje é dia de falar do papel da comunicação e do seu contributo para a Liberdade.Sim, é dia de falar de liberdade de expressão, de jornalismo e de mensagens que marcaram o 25 de abril de 1974.
Com a “voz” do 25 de abril.Às 4 da madrugada do dia 25 de abril de 1974, esta voz anunciou a revolução,Portugal celebra já hoje mais dias a viver em democracia e liberdade do que os dias que vivemos em ditadura.Em poucos dias celebramos mais um aniversário do dia inaugural que Sophia de Melo Breyner desenhou em 4 versos imortais
“Esta é a madrugada que eu esperavaO dia inicial inteiro e limpoOnde emergimos da noite e do silêncioE livres habitamos a substância do tempo”
A mensagem poética cruzada com o sincopado da mensagem militar.A revolução foi teve três D’s: Democracia, Descolonização e Desenvolvimento.Os 13 anos de guerra colonial foram um dos principais motivadores do movimento dos capitães de abril.Esta conversa com Joaquim Furtado corre o tempo da Guerra Colonial, inscrita na série feita para a RTP, espreita o tempo do jornalismo atual e começa no momento zero: A madrugada da revolução dos cravos.
Tuesday Apr 12, 2022
Vitor Cotovio | Comunicar Melhor | Pergunta Simples (Ep.78)
Tuesday Apr 12, 2022
Tuesday Apr 12, 2022
A inquietação.
A inquietação que nos desassossega.
Pode ser ansiedade. Pode ser medo. Pode ser até depressão.
Não sei se vos está a acontecer, mas as notícias da guerra, em filme contínuo, provoca-me uma tensão na cabeça.
Primeiro a surpresa do início da invasão à Ucrânia.
A estupefação de ver um país invadir outro. Da ideia de guerra na Europa sair de qualquer possibilidade sensata.
Os dias passam. As notícias de coisas terríveis invadem-nos constantemente. Sempre na rádio e televisões. Ao segundo nas redes sociais. Entre a verdade e a propaganda.
E a nossa cabeça à roda.
Entre a necessidade de parar de ver e o medo de perder algo importante.
O acumular de tudo isto gera ansiedade. Gera esse desassossego que faz estragos no nosso espírito, na nossa mente.
Convidei para esta conversa o médico psiquiatra e psicoterapeuta Vitor Cotovio em busca de chaves para despressurizar.
Da guerra que sucede a uma pandemia.
Como é que acontecimentos como a guerra e a pandemia de COVID-19 nos afectam a cabeça e como nos podemos defender melhor a nossa saúde mental?
Numa conversa sobre a nossa mente na sociedade dos 5V e dos 5C.
A saber, os 5V: volume (muito), velocidade, volatilidade, voracidade e vacuidade. Numa sociedade que vive os 5C: consumo (muito), competição, concorrência, cosmética e caos.
O resultado não pode ser bom para a nossa cabeça.

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